sexta-feira, 17 de junho de 2011

Uma mais abstrata.

Esbarrei em um texto que falava de uma combinação interessante de genialidade entre Cervantes, Portinari e Drummond.
O personagem Dom Quixote em foco com as telas de Portinari e a perícia do poeta mineiro na descrição. Não entendendo “merda” nenhuma e não sendo um fã de poesia fui atrás dos aplausos da crítica às obras.
Verbos no passado a parte, li um texto do chileno Antônio Skármeta sobre a metáfora e como o poeta traduz quase que exatamente o abstrato.Eles forçam, literalmente, a você enxergar nos textos, prosas e poesias as sensações. Te obrigam a tê-las através da pura escrita.
Talvez o ramo da publicidade se tenha feito com alguns poetas frustrados, afinal, instigar a vontade através do visual, de sons que a palavra tem requer uma perícia peculiar.
Comparações de lado e sem uma equipe perita para auxiliar, o poeta , o escritor e o pintor com apenas instinto, me ajudou a apreciar algo novo. Revi as obras do trio, bebendo uma coca-cola, claro.


“Não há imagem que não seja casual” ( Antônio Skármenta )

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Você é quem diz ser???

Tudo que diz a teu respeito ou te representa são palavras, não ditas, mas dizem mesmo assim. O que você veste representa o que você pensa. Suas fotos, suas afirmações sobre você e outras pessoas na internet, na rua, em casa, na escola dominical. Inconscientemente você diz o que teu coração possui. E aquilo se torna sua identidade. Daí vem as características da personalidade. Da personalidade vem o caráter. São as ações do indivíduo que determina se seu caráter é bom ou ruim, e as ações provém do que ele diz fazer e ser ou seja a personalidade. Jhon Locke formulou a metáfora da tabula rasa onde todo ser humano nasce igual como uma folha em branco que é preenchida no decorrer da vida. Exemplos disso foi Mao Tse-tung citando a metáfora de Locke para jovens na China no século 20 dizendo que “as personalidades mais novas e mais bonitas podem ser escritas” já a idéia oposta à de Locke é que as pessoas já nascem mais dotadas que outras; afirmação que fundamentou projetos de engenharia social e genocídio como o Holocausto judeu.
“A genética não determina seu comportamento, não restringe a liberdade humana” disse Matt Ridley cientista que publicou um estudo sobre a personalidade e o DNA. Traços de personalidade são idéias, conceitos culturais e a genética pode sim influenciar o funcionamento do corpo que em uma cultura ou em outra resulta em comportamentos diferentes. Cabe á pessoa determinar que tipo de personalidade aquelas influências terá sobre ela. Se você sabe o que as escrituras dizem ao seu respeito, que as promessas de Deus são para todo sempre cabe você acreditar nelas, depois de acreditar dize-las e praticá-las diariamente como um exercício moldando assim o que você diz no dia a dia, ou seja sua personalidade.


quinta-feira, 14 de abril de 2011

ESTETICAMENTE FEIO

Nunca fomos tão seletivos quanto atualmente. Fica a idéia de que as pessoas de alguma forma se nivelaram esteticamente. A velha frase faz sentido agora quando se diz que agora a feiúra é uma opção pessoal assim como a sexualidade. As barganhas se tornam modinhas da mídia e fica fácil identificar um “estilo” nas avenidas.
Deixou de ser estranho o anormal, e ficou normal se tornar um estranho. Tribos misturadas em festas misturadas e o preconceito se tornou desculpa para o absurdo.
Qualquer coisa que se diga agora é ser preconceituosa; citam a lei, o número, o artigo e o ano achando que assim se justificam. Engraçado.
Você clica ali, diz sim , não, talvez, e suas atrações mútuas ficam a mercê da habilidade do indivíduo no fotoshop onde os olhos acabam acostumado com o improvável.
É preconceito pensar em preconceito, afinal você se veste da forma em que você pensa. Sua imagem é o espelho da sua alma. Hoje a moda muda, e você muda também.
Na velocidade de um clic , pra sua roda social te aceitar é só clicar, sim ou talvez.
Sem características comuns e fáceis de se ver, o papo cabeça é identificado como nerd ( olha o preconceito!! ) e coisas como cultura, música e opinião foi se bajulando ao ponto de se tornarem qualquer caca.
Foda mesmo é que opiniões e conteúdo fotoshop não é capaz de resolver.





(A prova viva, mal usado ele não funciona. )

sexta-feira, 18 de março de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

VERDADE?

Hoje ouvi uma coisa que me incomodou muito. “Juro por Deus... é verdade” , um dizia em uma discussão incômoda de casais. Isto tudo para enfatizar uma verdade. Mas é aí que vem o interessante. Se é uma verdade, porque então da dúvida do outro?
Nossas verdades mudam todo dia, porque os chamados “pontos de vista” mudam todo dia também e além de mudarem de pessoa para pessoa. Então como dizer pra alguém que aquela verdade em que você enfatiza tanto é “a” verdade? Só se sabe o que se passa por dentro de uma pessoa a própria pessoa, alguns diriam talvez compreender um pouco mas não absolutamente o todo.
Santo Agostinho dizia que verdades imutáveis são perfeitas, como as ciências exatas. E se são perfeitas provêem de algo perfeito, logo Deus. E olha só, para dizer uma verdade alguém jura por Ele. Não é uma crítica, mas nós juramos por algo maior que nós por não sermos dignos de confiança.
Deus quando jura, jura por Ele mesmo; afinal Ele é a própria verdade imutável, de onde vem a perfeição que Agostinho disse.
O que tento dizer é que mesmo que seja a sua verdade, mantenha a mente aberta pra perceber, que as outras verdades giram junto com as tuas, mas não em torno de ninguém. E que não é necessário aceita-las como tuas, mas compreender e respeitar pois a perfeição que procuramos, já sabemos de onde vem.


“Não se aprende pelas palavras , que repercutem exteriormente, mas pela verdade, que ensina interiormente.” Santo Agostinho ( 354/430)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Dia chuvoso...

“Dessa forma fica fácil!” dizia ele pra mim, na tentativa de explicar como é que se socializa pela rede. “Você só tem que falar o que querem ouvir..” e assim prosseguia durante o dia todo, mais especificamente o domingo.
Mentir é a maneira mais fácil de conseguir alguma coisa válida, e me pergunto se é mentira, então é válida mesmo? Mesmo sendo um domingo chuvoso como aquele dia, dizer um “eu te amo” pela rede pra conseguir um encontro fácil no shopping; claro se o outro domingo não estiver chovendo; é apelativo? O mais bizarro: as garotas do outro lado acreditam! E tudo mais fica “clichezado”, sentimentos sem importância, “só para colocar mais emoção nos fins de semana”. Sem chuva é claro.
Mas aí vêm as perguntas: e se a coisa toda for verdadeira, se vale mesmo a pena investir, ligar pra ouvir a voz, tiver uma ponta de certeza por traz da tela, das máscaras do photoshop?
Ao contrário do que meu amigo diz; eu apenas digo que não se pode afirmar nada, até sua pele entrar em contato com a certeza. Acreditem quando digo, às vezes, vale a pena deixar de mentir com seriedade e prestar mais a atenção nas verdades que se fala brincando.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Os 33 da fila.

Em uma fila à procura de emprego, nessas agências que editam seu perfil, mais de uma hora em pé com quinze pessoas exatas na minha frente, um rapaz de baixa estatura; reconhecendo aqui já que também sou assim; entra na fila em minha frente. Ou por não dar a mínima para as outras trinta e três pessoas nas suas costas ou por estar acostumado com filas neste país, provavelmente ele não adivinhou que iria causar certo incômodo.
Enquanto eu apostava na calma do número 33 por ser a única coisa que lembrava Cristo naquele momento, o que se seguiu foram palavras indizíveis e digamos, até interessantes de se expressar, se fossem atores em uma filmagem. Os funcionários continuavam com sua rotina enquanto as cordas vocais dos envolvidos na discussão se esforçavam ao máximo. Um cantava soprano.
Mas não é isso que me chamou a atenção; mas a indiferença das outras pessoas. Como se estivessem acostumadas àquela situação. O estresse, a intolerância, a falta de boa fé, o capitalismo na sua mais crua versão. “Cada um por si, burro foi você de não ter levantado cedo pra vir pra fila.”
Enquanto a discussão se estendia pela manhã, uma senhora na sua meia idade mãe de família comentava com uma garota de 18 anos a tragédia no Rio, sobre a solidariedade, paciência, o trabalho heróico dos voluntários. Ambas na fila e ambas sem o ensino médio completo. “ O povo brasileiro é muito unido e humilde né?” uma questionava.
A vaga que me ofereceram foi de consultor de vendas e disseram que meu perfil ajuda afinal além de comunicativo sou paciente. Brasileiro nato?
O fura fila conseguiu uma vaga de entregador e saiu rindo, tranqüilo. Dos outros 33 não sei, mas a mãe de família perdeu a vaga para a garota de 18 anos e nem se cumprimentaram depois.
Meu Brasil brasileiro, terra de encantos mil e não só de 33.